O Ford Mustang GTD mudou a forma como o público vê o nome Mustang. Durante décadas, este modelo foi associado a um carro desportivo acessível, feito para o dia a dia. Com o GTD, a Ford decidiu ir mais longe. Assim, criou aquilo que muitos consideram o carro de estrada mais extremo já produzido pela marca.
Um Mustang nascido da competição
O Mustang GTD nasceu diretamente do programa de competição GT3 que a Ford disputa em Le Mans. A ideia era simples, mas ousada: pegar num carro de corrida e torná-lo legal para andar na estrada. Por isso, o resultado é uma máquina que mantém a silhueta reconhecível de um Mustang. No entanto, pouco tem a ver mecanicamente com os modelos vendidos nos concessionários normais.
A produção não acontece nas linhas habituais da Ford nos Estados Unidos. Em vez disso, a Multimatic monta cada unidade à mão no Canadá, a mesma empresa responsável pelo Ford GT. Os painéis em fibra de carbono substituem o aço em várias partes da carroçaria. Desta forma, o carro reduz peso e reforça o carácter competitivo.
Motor e desempenho
Debaixo do capô, encontra-se um motor Predator V8 de 5.2 litros com compressor sobrealimentado. Este motor gera 815 cavalos de potência e 664 lb-pé de torque. Além disso, liga-se a uma caixa automática de dupla embraiagem de oito velocidades.

Ao contrário do Mustang tradicional, a caixa de velocidades fica montada na traseira. Um veio de transmissão em fibra de carbono liga-a ao motor. Consequentemente, o carro alcança uma distribuição de peso quase perfeita entre os dois eixos. O sistema de lubrificação por cárter seco mantém o óleo a circular mesmo sob forças laterais elevadas. Já o escape em titânio, assinado pela Akrapovič, reduz peso e dá ao motor um som mais agressivo. Graças a estas escolhas técnicas, o Mustang GTD atinge 325 quilómetros por hora de velocidade máxima.
Recorde no Nürburgring
O desempenho em pista é, talvez, o argumento mais forte do Mustang GTD. Foi ali que a Ford quis provar o seu valor. No circuito de Nürburgring, na Alemanha, o GTD completou uma volta em seis minutos e quarenta segundos. Assim, tornou-se o primeiro carro de produção americano a ficar abaixo dos sete minutos naquele traçado.
Este resultado colocou o Mustang ao nível de rivais europeus consagrados, como o Porsche 911 GT3 RS. Para conseguir estes tempos, o carro conta com suspensão adaptativa derivada da competição e travões Brembo de seis pistões com discos cerâmicos. Os pneus Michelin Pilot Sport Cup 2R foram desenvolvidos especificamente para o modelo. Um aerofólio traseiro fixado nas colunas C gera ainda carga aerodinâmica significativa em alta velocidade.
Interior de foco absoluto
O interior reflete a mesma filosofia de foco na performance. A Ford removeu por completo os bancos traseiros. No lugar deles, uma janela em policarbonato deixa ver a suspensão traseira, um dos detalhes visuais mais marcantes do GTD.

Os ocupantes sentam-se em bancos Recaro revestidos a camurça Miko, cortados à mão. Os acabamentos incluem alavancas de mudanças em titânio e um seletor rotativo feito a partir de material reaproveitado de caças F-22 Raptor. O painel digital de 12,4 polegadas e o ecrã central de 13,2 polegadas usam gráficos inspirados em jogos de vídeo. Por isso, o condutor acompanha dados de telemetria e tempos de volta em tempo real.
Preço e exclusividade
O Ford Mustang GTD custa entre 318 mil e 325 mil dólares na configuração base. Este valor sobe consideravelmente com pacotes especiais, como o Carbon Series ou o Spirit of America. Estas edições ultrapassam os 420 mil dólares e trazem rodas em magnésio e melhorias aerodinâmicas.
A produção é deliberadamente limitada. Os compradores precisam de se candidatar através de um processo semelhante ao usado para o Ford GT. Por isso, o carro torna-se praticamente inacessível ao comprador comum. Ainda assim, o Mustang GTD cumpre o seu papel simbólico. Ele mostra que a Ford constrói um verdadeiro supercarro de raiz americana, competitivo com o melhor da Europa, sem perder a alma que tornou o Mustang famoso ao longo de mais de sessenta anos.